terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Cuba

Hoje é um dia importante para a história mundial. Depois de quase 50 anos no poder, Fidel Castro renunciou.

A revolução cubana ocorreu em primeiro de janeiro de 1959 e depôs um governo corrupto e repressor, representado pelo presidente Fulgencio Batista. As condições sociais pré-revolução eram lastimáveis e os governantes se locupletavam das relações entre o país e os Estados Unidos.

Fidel Castro assumiu o poder, e, com amplo apoio popular, declarou o caráter socialista da revolução e tomou medidas de reestruturação da ilha.

A principal conquista do governo castrista se referiu aos elevados índices sociais alcançados. Segundo um levantamento feito pelo site UOL, as estatísticas são impressionantes:

“De acordo com pesquisa da Pnud, organismo da ONU, o índice de pobreza de Cuba entre os 102 países em desenvolvimento pesquisados era o sexto menor em 2004.


Segundo a ONU, em 2003, a mortalidade infantil de Cuba era de 6,2 habitantes para cada 1000 (no Brasil, o índice era de 28,6 por 1000). Dados da Unesco em 2002 relatavam que 98% das residências cubanas possuíam instalações sanitárias adequadas (contra 75% das brasileiras). Em 2006, Cuba obteve a 50ª colocação no ranking de IDH, situada entre os países de alto desenvolvimento humano (o Brasil é o 69º). A mesma pesquisa colocava o índice de analfabetismo cubano em 0,02% da população (no Brasil, a taxa era de 13,7%).

A CIA, central de inteligência americana, que organiza o "World Fact Book", um levantamento anual de dados sobre os países do mundo, estimava em 1,9% o desemprego em Cuba. No Brasil, segundo a mesma fonte, o índice era de 9,6% no ano passado. Ainda de acordo com o "World Fact Book", a expectativa de vida ao nascer na ilha era de 77,41 anos -contra uma esperança de 71,9 anos no Brasil.

De acordo com a própria CIA, que reconhece ter organizado atentados à vida de Fidel e tentativas de invasão de Cuba na década de 1960, os índices de criminalidade e de tráfico de drogas na ilha são "muito baixos". Por outro lado, em 2005, havia apenas 850 mil linhas de telefone -ou seja, suficientes para menos de 10% da população de mais de 11 milhões de habitantes”.

(http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/2008/cuba/cubasobfidel.jhtm)

São dados extremamente relevantes. Eu diria louváveis.

Mas aí nos deparamos com a ditadura. Uma ditadura rigorosa e perene. Liberdade de expressão, nem pensar. Oposição só na cadeia ou no paredão. Aprisionamento de pessoas no país. Eleições, só de brincadeira. E medo.

Eu estive em Cuba em fevereiro de 1988, há exatos 20 anos (antes da queda do muro de Berlim, quando o país ainda recebia auxílio financeiro da ex-URSS). Acredito que tenha mudado bastante depois disso. Não sei se para melhor ou pior.

Fui com a minha mãe, fazer um tratamento médico, considerado de ponta na época (anos depois foi provado ser uma fraude). Eu nem tinha 8 anos e tudo aquilo era muito diferente e fascinante para mim.

Na primeira noite no decadente hotel, tive uma crise de asma seriíssima. Fomos ao hospital às pressas. E a verdade é que o famoso sistema de saúde cubano, naquele momento, não pareceu nada diferente dos hospitais públicos brasileiros.

Filas enormes, gente espalhada pelos cantos, sujeira... E, por causa do embargo econômico (acredito), não havia plástico, por exemplo. Quer dizer, nada de seringas ou máscaras de inalação descartáveis.

Que tipo de informação recebemos fora de Cuba? Sabemos do que estamos falando?

Meu trabalho é dedicado aos direitos humanos. Tenho colegas e amigos, que trabalham nesta mesma área e fazem trabalhos fantásticos, pessoas que respeito e admiro imensamente, e que defendem o sistema cubano e o poder de Fidel Castro.

Isso eu não consigo compreender. O reconhecimento das melhorias sociais na ilha é inegável, mas pergunto: a que custo? A revolução foi importante para o povo cubano, mas não posso jamais aceitar uma ditadura, especialmente rigorosa e longa como essa.

Vamos ver o que a história reserva à “Ilha de Fidel”...

Abraços,

Joana.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Cigarro 2

Sou obrigada a voltar a esse assunto.

Hoje li no jornal (O Estado de S. Paulo) que o governo federal, além de propor o aumento do preço do cigarro, pretende proibir os fumódromos, independentemente se instalados em lugares públicos ou privados.

Quanto ao aumento de preço, eu concordo. O governo argumenta que isso dificultaria o acesso dos jovens ao cigarro. Pode ser. O problema é que há nesta medida um corte de classe. Jovens pobres fumarão menos, jovens ricos continuarão a entregar-se ao vício. Enfim, pelo menos já são alguns “salvos”, ainda que forçosamente.

Para mim, o aumento é justo porque o consumo do cigarro traz gastos elevados ao sistema público de saúde, e esse dinheiro deveria vir dos impostos pagos pelos consumidores do produto.

Há, por outro lado, o argumento que o aumento do preço do maço de cigarros acarretaria em mais sonegação e contrabando. É verdade também. Por isso essa medida deve ser acompanhada de atitudes complementares.

De qualquer forma, o que me deixa intrigada é a proibição dos fumódromos.

De acordo com a reportagem, de 1979 a 2003 o número de fumantes caiu de 39% para 18% entre a população maior de 15 anos. No mesmo período, o número de mortes entre mulheres vítimas de câncer de pulmão cresceu 96,95%. O cigarro é responsável por 90% dos casos desse tipo de câncer. Entre os 10% restantes, um terço é composto por fumantes passivos.

Primeiro: não entendo a diminuição dos fumantes e o aumento do câncer. Se o cigarro é responsável por 90% dos casos, o índice de câncer de pulmão deveria ter diminuído também. Sim, é verdade que, mesmo que eu pare de fumar hoje, não estou livre do câncer causado pelo cigarro no futuro. Mas o índice deveria, no máximo, permanecer constante, não?

Segundo: Se um terço dos 10% dos casos de câncer restantes são de fumantes passivos, significa que 3,33% das pessoas que morrem de câncer de pulmão são vítimas passivas do cigarro. É MUITO, lógico!

Eu só queria saber qual era a relação dessas vítimas com o cigarro. Eram casadas com fumantes? Trabalhavam em ambientes fechados, cheios de fumantes? Freqüentavam bares esfumaçados? Ou simplesmente passavam parte do tempo na sala de embarque do Galeão, a alguns metros do “smoking point”?

Minha questão é: os fumódromos, bem instalados, isolados e com eficiente sistema de exaustão contribuem para que haja vítimas passivas do cigarro? Ou as razões são outras?

Se alguém me responder isso com segurança, que os fumódromos têm sua parcela de culpa, eu aceito. Se não, penso que essa medida trata-se somente de uma histeria excessiva e intolerante, como já defendi anteriormente.

Abraço,

Joana.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

De volta

Pois é, finalmente de volta à função.

Fui buscar a minha dissertação na gráfica hoje, e como nada pode ser simples, não deu certo. Mandei fazer a capa com uma semana de antecedência, porque é o que mais demora, e enviei o conteúdo ontem.

Quando vi os 12 exemplares em cima do balcão fiquei animada, mas olhando com cuidado, percebi que estava escrito tudo torto na capa! Resultado: eles vão refazer para amanhã, em cima da hora do prazo final. Por que não deixar mais emocionante?

Eu ia escrever sobre a superterça, mas não tive nenhuma opinião diferente. Os republicanos estão definidos, os democratas em disputa ainda mais acirrada. Só se fala em fonte de financiamento para as campanhas... Se alguém tiver alguma informação/idéia sobre o assunto, be my guest...

Volta oficializada. A partir de amanhã, cheia de opinião...

Beijos,

Joana.