quarta-feira, 5 de março de 2008

Eleições nos EUA 4 e Células Tronco Embrionárias

Sim, eu estou muito em falta. Pretendo mudar isso.

Ontem foi um dia importante nas prévias eleitorais norte-americanas. Hillary conseguiu ganhar delegados suficientes para continuar na disputa.

Eu continuo em dúvida. Apesar dos dados que pendiam para o Obama, agora estou mais simpatizante à Hillary. Talvez por causa dos discursos mais religiosos dele, ou talvez porque ele seja preferido pelos republicanos. Talvez porque o trabalho e história de Hillary sejam mais conhecidos e por isso mais confiáveis?

Mesmo assim, sigo indefinida. A cada momento uma nova notícia me faz mudar de opinião. Uma lei aprovada por Hillary que pode beneficiar um amigo pessoal, um assessor de Obama que faz reuniões às escondidas dizendo que as propostas do senador são eleitoreiras. Por aí vai.

Também é necessário pensar que estas não são as eleições finais. Um dos dois enfrentará o republicano-conservador McCain - confirmado nas prévias de ontem (para mim, quase pior que Bush, menos grave que Huckabee). Qual dos dois terá mais chances? Tudo indica que é Obama. Isso é bom ou ruim?

Vou continuar observando.

Voltando para o Brasil, hoje é um dia importante. O STF vai julgar a constitucionalidade da lei que permite a pesquisa com células tronco embrionárias. Um julgamento sobre o direito à vida, e principalmente, sobre o Estado laico.

A lei de biossegurança permite que embriões gerados em laboratórios, para fins de reprodução assistida, que estejam congelados há mais de três anos (e por isso inviáveis), desde que haja autorização dos "pais", sejam usados para extração de células tronco.

As células tronco são a nova esperança na medicina, prometendo a cura de diversas doenças. É possível usar células tronco adultas, que apresentam bons resultados, mas nada comparado às células tronco embrionárias. Por estarem em um estágio muito inicial de desenvolvimento, as células retiradas de embriões têm maior possibilidade de exercerem quaisquer funções no corpo humano.

De um lado, está o argumento religioso. A vida tem início na concepção e por isso, usar os embriões é igual a matar alguém. De outro lado, está a ciência. Consideram que, independente do entendimento de quando a vida começa, estes embriões serão necessariamente jogados no lixo e não têm a menor possibilidade de gerar uma pessoa. Não haveria porque não usá-los para a pesquisa e a cura de doenças (de pessoas vivas).

Se a discussão for sobre o momento de início da vida, ou do momento que ela passa a ser protegida juridicamente, muitos são os entendimentos. Os católicos consideram que o início da vida ocorre com a fecundação do óvulo. Os cientistas se dividem. Para uns a vida começa com a existência de atividade cerebral (argumento que permite, por exemplo, o desligamento dos aparelhos em caso de morte cerebral). No meio, está a idéia de que a vida passa a ser protegida a partir da nidação do óvulo. Ou seja, após a fecundação, o óvulo se prende na parede do útero, dando início à gestação (esse argumento permite o uso da pílula do dia seguinte ou do DIU, anticoncepcionais que evitam a nidação, não a fecundação).

No caso da pesquisa com embriões, acrescenta-se o fato de que apenas é permitido o uso de embriões inviáveis, que em nenhuma hipótese poderão ser implantados no útero da mãe, e por isso nunca se tornarão uma pessoa. Este fato faz com que muitos católicos defendam a pesquisa.

Independentemente de quando a vida começa, este julgamento é sobre a laicidade do Estado. O reconhecimento final de que a Igreja não tem influência sobre a vida pública. Nove dos onze ministros do Supremo declararam-se católicos. Que sejam felizes com suas crenças, que pratiquem da forma que queiram. Mas que não tragam suas influências para as decisões do Estado. O que está em jogo aqui é a definição dos limites entre as esferas pública e privada.

Aguardo ansiosamente pelo resultado.

Volto logo, prometo.

Abraço,

Joana.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Cuba

Hoje é um dia importante para a história mundial. Depois de quase 50 anos no poder, Fidel Castro renunciou.

A revolução cubana ocorreu em primeiro de janeiro de 1959 e depôs um governo corrupto e repressor, representado pelo presidente Fulgencio Batista. As condições sociais pré-revolução eram lastimáveis e os governantes se locupletavam das relações entre o país e os Estados Unidos.

Fidel Castro assumiu o poder, e, com amplo apoio popular, declarou o caráter socialista da revolução e tomou medidas de reestruturação da ilha.

A principal conquista do governo castrista se referiu aos elevados índices sociais alcançados. Segundo um levantamento feito pelo site UOL, as estatísticas são impressionantes:

“De acordo com pesquisa da Pnud, organismo da ONU, o índice de pobreza de Cuba entre os 102 países em desenvolvimento pesquisados era o sexto menor em 2004.


Segundo a ONU, em 2003, a mortalidade infantil de Cuba era de 6,2 habitantes para cada 1000 (no Brasil, o índice era de 28,6 por 1000). Dados da Unesco em 2002 relatavam que 98% das residências cubanas possuíam instalações sanitárias adequadas (contra 75% das brasileiras). Em 2006, Cuba obteve a 50ª colocação no ranking de IDH, situada entre os países de alto desenvolvimento humano (o Brasil é o 69º). A mesma pesquisa colocava o índice de analfabetismo cubano em 0,02% da população (no Brasil, a taxa era de 13,7%).

A CIA, central de inteligência americana, que organiza o "World Fact Book", um levantamento anual de dados sobre os países do mundo, estimava em 1,9% o desemprego em Cuba. No Brasil, segundo a mesma fonte, o índice era de 9,6% no ano passado. Ainda de acordo com o "World Fact Book", a expectativa de vida ao nascer na ilha era de 77,41 anos -contra uma esperança de 71,9 anos no Brasil.

De acordo com a própria CIA, que reconhece ter organizado atentados à vida de Fidel e tentativas de invasão de Cuba na década de 1960, os índices de criminalidade e de tráfico de drogas na ilha são "muito baixos". Por outro lado, em 2005, havia apenas 850 mil linhas de telefone -ou seja, suficientes para menos de 10% da população de mais de 11 milhões de habitantes”.

(http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/2008/cuba/cubasobfidel.jhtm)

São dados extremamente relevantes. Eu diria louváveis.

Mas aí nos deparamos com a ditadura. Uma ditadura rigorosa e perene. Liberdade de expressão, nem pensar. Oposição só na cadeia ou no paredão. Aprisionamento de pessoas no país. Eleições, só de brincadeira. E medo.

Eu estive em Cuba em fevereiro de 1988, há exatos 20 anos (antes da queda do muro de Berlim, quando o país ainda recebia auxílio financeiro da ex-URSS). Acredito que tenha mudado bastante depois disso. Não sei se para melhor ou pior.

Fui com a minha mãe, fazer um tratamento médico, considerado de ponta na época (anos depois foi provado ser uma fraude). Eu nem tinha 8 anos e tudo aquilo era muito diferente e fascinante para mim.

Na primeira noite no decadente hotel, tive uma crise de asma seriíssima. Fomos ao hospital às pressas. E a verdade é que o famoso sistema de saúde cubano, naquele momento, não pareceu nada diferente dos hospitais públicos brasileiros.

Filas enormes, gente espalhada pelos cantos, sujeira... E, por causa do embargo econômico (acredito), não havia plástico, por exemplo. Quer dizer, nada de seringas ou máscaras de inalação descartáveis.

Que tipo de informação recebemos fora de Cuba? Sabemos do que estamos falando?

Meu trabalho é dedicado aos direitos humanos. Tenho colegas e amigos, que trabalham nesta mesma área e fazem trabalhos fantásticos, pessoas que respeito e admiro imensamente, e que defendem o sistema cubano e o poder de Fidel Castro.

Isso eu não consigo compreender. O reconhecimento das melhorias sociais na ilha é inegável, mas pergunto: a que custo? A revolução foi importante para o povo cubano, mas não posso jamais aceitar uma ditadura, especialmente rigorosa e longa como essa.

Vamos ver o que a história reserva à “Ilha de Fidel”...

Abraços,

Joana.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Cigarro 2

Sou obrigada a voltar a esse assunto.

Hoje li no jornal (O Estado de S. Paulo) que o governo federal, além de propor o aumento do preço do cigarro, pretende proibir os fumódromos, independentemente se instalados em lugares públicos ou privados.

Quanto ao aumento de preço, eu concordo. O governo argumenta que isso dificultaria o acesso dos jovens ao cigarro. Pode ser. O problema é que há nesta medida um corte de classe. Jovens pobres fumarão menos, jovens ricos continuarão a entregar-se ao vício. Enfim, pelo menos já são alguns “salvos”, ainda que forçosamente.

Para mim, o aumento é justo porque o consumo do cigarro traz gastos elevados ao sistema público de saúde, e esse dinheiro deveria vir dos impostos pagos pelos consumidores do produto.

Há, por outro lado, o argumento que o aumento do preço do maço de cigarros acarretaria em mais sonegação e contrabando. É verdade também. Por isso essa medida deve ser acompanhada de atitudes complementares.

De qualquer forma, o que me deixa intrigada é a proibição dos fumódromos.

De acordo com a reportagem, de 1979 a 2003 o número de fumantes caiu de 39% para 18% entre a população maior de 15 anos. No mesmo período, o número de mortes entre mulheres vítimas de câncer de pulmão cresceu 96,95%. O cigarro é responsável por 90% dos casos desse tipo de câncer. Entre os 10% restantes, um terço é composto por fumantes passivos.

Primeiro: não entendo a diminuição dos fumantes e o aumento do câncer. Se o cigarro é responsável por 90% dos casos, o índice de câncer de pulmão deveria ter diminuído também. Sim, é verdade que, mesmo que eu pare de fumar hoje, não estou livre do câncer causado pelo cigarro no futuro. Mas o índice deveria, no máximo, permanecer constante, não?

Segundo: Se um terço dos 10% dos casos de câncer restantes são de fumantes passivos, significa que 3,33% das pessoas que morrem de câncer de pulmão são vítimas passivas do cigarro. É MUITO, lógico!

Eu só queria saber qual era a relação dessas vítimas com o cigarro. Eram casadas com fumantes? Trabalhavam em ambientes fechados, cheios de fumantes? Freqüentavam bares esfumaçados? Ou simplesmente passavam parte do tempo na sala de embarque do Galeão, a alguns metros do “smoking point”?

Minha questão é: os fumódromos, bem instalados, isolados e com eficiente sistema de exaustão contribuem para que haja vítimas passivas do cigarro? Ou as razões são outras?

Se alguém me responder isso com segurança, que os fumódromos têm sua parcela de culpa, eu aceito. Se não, penso que essa medida trata-se somente de uma histeria excessiva e intolerante, como já defendi anteriormente.

Abraço,

Joana.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

De volta

Pois é, finalmente de volta à função.

Fui buscar a minha dissertação na gráfica hoje, e como nada pode ser simples, não deu certo. Mandei fazer a capa com uma semana de antecedência, porque é o que mais demora, e enviei o conteúdo ontem.

Quando vi os 12 exemplares em cima do balcão fiquei animada, mas olhando com cuidado, percebi que estava escrito tudo torto na capa! Resultado: eles vão refazer para amanhã, em cima da hora do prazo final. Por que não deixar mais emocionante?

Eu ia escrever sobre a superterça, mas não tive nenhuma opinião diferente. Os republicanos estão definidos, os democratas em disputa ainda mais acirrada. Só se fala em fonte de financiamento para as campanhas... Se alguém tiver alguma informação/idéia sobre o assunto, be my guest...

Volta oficializada. A partir de amanhã, cheia de opinião...

Beijos,

Joana.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Nem tão rápida

A boa notícia é que minha dissertação já está com a revisora. Terça de carnaval faço os últimos ajustes e mando para a gráfica na quarta. Valeu, para quem ajudou e acompanhou...

A má notícia (para mim...) é que estou sem internet. Tenho contado com a boa vontade de alguns, mas geralmente tenho apenas poucos minutos disponíveis para navegar e várias coisas para resolver.

Assim, a pausa de postagens está oficialmente estendida, até depois do carnaval...

Vale lembrar, dia 5 (no Brasil só alegria) é a superterça das prévias nas eleições norte-americanas.

Cheia de assunto.

Beijos,

Joana.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Pausa Rápida

Estou muito animada com este blog. Vários comentarios legais! E ainda tenho mil "opiniões" para colocar aqui.

Só que de hoje até segunda feira, a única coisa que vou escrever é a conclusão do meu mestrado!

Até semana que vem.

Beijos,

Joana.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Consumidor

Todo mundo tem uma história de irritação (para dizer o mínimo) com atendimento ao consumidor. Pode ser na relação direta com o cliente ou pela desgraça do telemarketing (como pode, depois de você ficar 20 minutos explicando o seu caso, a linha SEMPRE cair?).

Resolvi escrever esse post hoje, pois acabei de receber os técnicos da Tok Stok. Minha novela com eles começou no dia 20 de setembro! Faz mais de quatro meses que estou tentando resolver meus problemas, e ainda há pendências...

Devo dizer que, pelo menos neste caso, os técnicos e atendentes são muito simpáticos e prestativos, o que alivia bastante a situação. Mas o sistema de atendimento da empresa é o caos. Qualquer coisa que você quer eles dizem que vão te retornar a ligação para agendar a visita ou te dar uma resposta. E nunca ligam! Porque já não te respondem de uma vez? Aí, quando respondem, fazem a visita ou entregam a mercadoria, tem sempre uma coisa errada e o problema não é resolvido.

São milhões de casos de stress com todo tipo de empresa. A mim parece que telefonia e aviação estão no topo da lista. Eu sozinha tenho dezenas de crises com esses dois segmentos. Não ficam de fora os casos de lojas que criam todo o tipo de problema com entrega de produtos, troca, assistência técnica etc. E as empresas de TV a cabo? Afe...

Esse post poderia ser muito longo, discorrendo sobre milhares de situações desse tipo. Mas vou poupá-los, até porque tenho a infeliz impressão que todos já passaram por situações assim e não precisam de alguém repetindo o drama.

Fica a pergunta: por quê??? O que custa atender os clientes de forma decente? Não estou nem invocando só a ética ou os direitos assegurados aos consumidores. As empresas precisam mais de nós do que nós deles, há concorrência! É economicamente importante para as empresas que o atendimento seja bom, elas precisam que nós voltemos a comprar seus produtos.

Abraço,

Joana.

PS. Só um casinho, que nem é meu: uma amiga colocou o notebook à venda no Mercado Livre. Recebeu deles a confirmação da transação e a autorização para que o produto fosse enviado pelo correio (é um e-mail padrão, sem nenhuma possibilidade de entrar em contato com o site para verificar se é isso mesmo). Ela mandou o computador e sem receber o pagamento, minha amiga descobriu que o sistema do Mercado Livre tinha sido hackeado e o pagamento nunca foi feito. Surpresa: o site sabe dessa possibilidade, mas como é rara, correm o risco. Ou melhor, deixam os clientes correrem o risco, porque não se responsabilizam...

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Conselho de Comunicação Social

O Conselho de Comunicação Social (CCS) é o órgão consultivo do Congresso Nacional na área de comunicação social. Sua previsão consta do art. 224 da constituição e foi regulamentado pela lei 8.389/91. Apesar de sua criação pela constituição em 1988 e de sua regulamentação em 1991, o Conselho só foi efetivamente instalado em 2002.

A previsão deste Conselho na constituição foi resultado de mobilização social, visando à democratização dos meios de comunicação. No entanto, ao menos nestes primeiros anos de atuação do Conselho, é possível perceber que esta intenção acabou frustrada.

O Conselho de Comunicação Social não tem função executiva, decisória ou punitiva, limitando-se a discutir questões relativas ao tema e auxiliar o Congresso Nacional.

Além das atribuições legais, o Conselho é composto por cinco comissões: regionalização da programação; tecnologia digital; radiodifusão comunitária; TV a cabo e concentração de mídia. Percebe-se que, embora todas as comissões tenham caráter relevante, não há uma que trate do conteúdo televisivo, por exemplo.

É verdade que a atribuição de aconselhamento já tem grande valia, caso seja isenta e democrática, como pretende a constituição. Para que as discussões no âmbito do Conselho tragam frutos importantes para o debate sobre a comunicação social no Brasil, cuja origem seja verdadeiramente democrática, a lei regulamentadora prevê que a composição do Conselho será de 13 membros previstos (com mandatos de 2 anos), sendo 3 representantes das empresas (rádio, televisão e imprensa escrita), 1 um técnico da área, 4 representantes de categorias profissionais (jornalistas, radialistas, artistas e cinema e vídeo) e 5 representantes da sociedade civil.

Observando a letra da lei, é possível considerar esta uma distribuição equilibrada entre as categorias. No entanto, é importante consultar quem são os representantes da sociedade civil que ocupam os mencionados cargos atualmente (composição desde 2006).

Dentre os cinco titulares representantes da sociedade civil estão: Dom Orani João Tempesta (Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Belém do Pará); Arnaldo Niskier (Professor, Jornalista e membro da ABL); Luiz Flávio Borges D’Urso (Presidente OAB/SP); Roberto Wagner Monteiro (Diretor da Rede Record de Televisão); João Monteiro de Barros Filho (Diretor da Televisão Independente de São José do Rio Preto – REDEVIDA).

Assim, dos 5 membros titulares que devem representar a sociedade civil, ao menos 2 deles estão intimamente ligados a empresas de televisão. A situação não melhora quando analisamos os 5 membros suplentes:

Segisnando Ferreira Alencar (Diretor Presidente da TV Rádio Clube de Teresina - PI); Gabriel Priolli Neto (Diretor Geral da TV PUC e Diretor Administrativo do Canal Universitário); Phelippe Daou (Presidente da Rádio TV do Amazonas Ltda.); Flávio de Castro Martinez (Diretor Presidente da Rede CNT - Central Nacional de Televisão); Paulo Marinho (Vice-Presidente do Jornal do Brasil e da Gazeta Mercantil).

Com exceção de Gabriel Priolli, que trabalha em televisões de caráter educativo, todos os demais são ligados a empresas de TV comercial.

Essa breve avaliação pode ser capaz de demonstrar a falta de efetividade de um Conselho como este na regulação de mídia. Apesar da falta de atribuições eficazes para essa função, o Conselho de Comunicação Social poderia ser uma importante arena de debates sobre o tema. No entanto, a composição de caráter político impossibilita que ao menos a discussão seja efetivamente democrática.

Discutirei mais sobre o tema em outros posts. A ampla participação de parlamentares em empresas de mídia, situação vedada expressamente pela constituição federal, por exemplo, é outro problema. Sem falar de concessões vencidas, concentração de propriedade...

Abraço,

Joana.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

E-tiqueta

Em uma onda de descontração, pensei em falar de boas atitudes dos navegantes (da internet).

O meu motivo principal foi uma certa indignação com as “não-respostas”. Se você recebe um e-mail (que não seja SPAM ou aquelas correntes horrorosas), TEM de responder!

Nem que seja algo como “OK”, “Valeu”, “Legal”, ou uma resposta de fato. É preciso dar um sinal de vida, um sinal que a mensagem foi recebida. É como uma conversa real. Já viu alguém falar alguma coisa e o interlocutor simplesmente ignorar?

Achei na rede um site engraçado (http://www.icmc.usp.br/manuals/BigDummy/netiqueta.html), cheio de etiquetas para o mundo virtual. Eles chamam de “Netiquetas”.

Regras são sempre regras, impositivas demais e feitas muitas vezes para serem quebradas. Mas não custa conhecê-las, certo?

A primeira dica que eles dão é: fale, não grite. Isso quer dizer “não escreva em letra maiúscula”, que é o mesmo que gritar. As letras maiúsculas e minúsculas devem ser usadas normalmente, e para enfatizar, é possível sublinhar (as maiúsculas são aceitáveis em uma ou outra palavra – como fiz lá em cima, além do título e avisos urgentes).

O site também aprova ouso de emoticons [ :-) para sorrir,
;-) para piscar, &-) para chorar, por exemplo]. Em um ambiente só de texto, são recursos bacanas para demonstrar que se trata de uma brincadeira, ironia etc.

Para os e-mails, algumas regras boas: o assunto deve estar bem relacionado com a mensagem. Anexos, só quando solicitados ou indispensáveis, nunca enviados para listas. O texto, please, formatado corretamente, com espaços e parágrafos.

Quanto às regras para respostas, achei que são meio esquisitas. Além do óbvio que eu já falei, de responder a todas as mensagens pessoais, falam que é necessário agradecer às ajudas recebidas. Óbvio também e essencial.

Só que fora isso, sugerem retirar a mensagem anterior, deixando só a parte a que você responde, e antes da sua mensagem. Acho confuso, gosto do sistema tradicional. Responde e deixa abaixo a mensagem original...

Vale a dica sobre as respostas em cascata (uma resposta atrás da outra). Fica cheio daqueles símbolos >>>. É bom dar uma limpada. E também diferenciar resposta de encaminhamento, para deixar mais claro do que se trata.

É legal ter uma assinatura eletrônica, com seus dados de contato e informações pessoais. Mas isso precisa ser simplificado, não tem necessidade de colocar o seu currículo completo! Eles sugerem no máximo 4 linhas.

Listas! Eita coisa difícil (quando várias pessoas recebem todas as mensagens). Envie mensagens somente quando tiver algo a acrescentar na discussão. Diferencie quando for mais conveniente mandar um e-mail pessoal. Nestes casos mantenha sempre as mensagens originais, com referência a quem mandou. Senão, vira uma baita confusão.

Essa observação é minha: realmente, não precisa ficar respondendo TUDO para todo mundo. Mas se a primeira mensagem tiver um caráter pessoal, não deixe de responder! Faça isso em um e-mail só para o remetente original...

Ainda sobre listas, o site lembra que várias pessoas participam de mais de um e-group. Por isso, se for mandar a mesma mensagem para várias listas, algumas pessoas receberão diversas vezes seu texto. Se isso for inevitável, peça desculpas pela duplicação.

Também não queira obter uma informação técnica sobre a lista ou pedir sua exclusão, por exemplo, mandando um e-mail para todo mundo. Veja quem é o moderador ou, se não souber, mande um e-mail pessoal para quem tem se mostrado mais ativo.

Por fim, não vire um Spammer! Quer dizer, não fique mandando mensagens publicitárias, correntes, avisos calamitosos claramente falsos etc.

Bom, essas são as e-tiquetas. Para mim, parecem dicas básicas de educação, adaptadas à realidade virtual. Aproveite o que quiser...

Beijos,

Joana.

sábado, 19 de janeiro de 2008

Cigarro

Para começar, uma informação: sou fumante. Mas também já fui ex-fumante, por três vezes, durante um ano cada vez. E pretendo, em um futuro próximo, virar uma ex-fumante para sempre.

No entanto, independente da minha condição de fumante ou não, acho o fim da picada a discriminação alucinada que as pessoas têm contra os tabagistas. Os fumantes são vistos como a escória da sociedade!

Vamos deixar claro desde já: eu tenho total consciência que a fumaça atrapalha os não fumantes, causa alergia, asma e até câncer. É evidente que nós, fumantes, não temos o direito de impor tais problemas àqueles abençoados que não são viciados em nicotina.

No entanto, a discriminação passa desses limites. Mesmo quando não há interferência alguma na vida alheia, os anti-tabagistas reclamam e sentem-se no direito de limitar o direito dos fumantes fumarem, mesmo quando isso não os afetará de maneira nenhuma.

E mais, são incapazes de entender que se trata de um VÍCIO. Não é apenas uma vontadezinha boba que passa com um pouco de esforço e que nós fumamos só para irritar os outros (e de quebra ainda ganhamos dentes amarelos, cheiro ruim, enfisema e câncer, dentre outros detalhes como esses).

Não posso dizer por todos os fumantes, mas quando eu fico muito tempo sem um cigarro, tenho problemas. Se for a duração de um almoço longo, fico extremamente irritada. Se for uma viagem transatlântica, tenho tremedeira, taquicardia e suo frio. Quer dizer, não é bacana.

E volto a afirmar: É EVIDENTE que não se pode fumar em aviões, em lugares completamente fechados ou sem espaço separado para fumantes, que seja isolado.

Só que cada vez mais as ações anti-tabagistas desrespeitam os fumantes de maneira extrema. Querem tornar normal proibir o fumo em qualquer circunstância. Em alguns lugares do Japão, Canadá e EUA é proibido inclusive fumar na rua. E esta parece ser a tendência. Qual é?

Não só acho um exagero desrespeitoso essa discriminação, intolerância e falta de compreensão, como acho, inclusive, que poderiam ser tomadas atitudes que diminuíssem um pouco a marginalização do fumante dessa forma.

Aeroportos, por exemplo. Quando entramos na sala de embarque, podemos ficar horas esperando para entrar no avião (especialmente no Brasil). Depois, temos a perspectiva de ficarmos horas dentro do avião. Tudo isso sem fumar, claro. No aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, há um negócio chamado “smoking point”. É mais ou menos assim, só que com umas paredes de acrílico:



Lá dentro tem um exaustor tão forte que mal a fumaça saiu da sua boca, já desapareceu. É impressionante. IMPOSSÍVEL alguém que está fora da cabine se incomodar. Por que não tem isso em vários lugares? Ou mesmo outras salas de embarque? É muito civilizado e evita transtornos aos fumantes e aos não fumantes.

Todo mundo sabe que fumar faz muito mal. Não é “na marra” que as pessoas vão parar de fumar. Vamos tentar conviver pacificamente...


Beijos esfumaçados,

Joana

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Big Brother

Vi alguma coisa da primeira edição do Big Brother (ganhou o Kleber Bambam, bizarro). Aí cansei, não vi mais nada. Soube pela mídia sobre os vencedores das outras edições (Caubói, Dhomini, Cida, Jean, Mara – na verdade esta eu nunca tinha ouvido falar – e Diego Alemão). Mesmo sem ter visto um dia sequer, fiquei contente com a vitória da Cida, pois me disseram que era uma mulher arretada, simples e divertida. Também gostei da vitória do Jean, pelo simbólico do gay não ser discriminado.

Acontece que eu preciso saber o que está acontecendo na TV, porque é meu objeto de estudo e militância. Além disso, é irritante participar de uma conversa sobre o tema e não ter a menor idéia do que as pessoas estão falando. Então dessa vez eu resolvi acompanhar o programa.

Uau, que porcaria é essa? Pelo o que eu soube dos outros programas, tinha todo o tipo de participante. Parece que nesse, houve a decisão pela escolha de pessoas bem jovens e saradas (dos 14 participantes, 5 são modelos, mais duas aspirantes a atriz). Entendo que pessoas bonitas, do mundo da fantasia, sejam interessantes, mas a Cida, por exemplo, mostrou que o público também vota em quem se identifica. Li na internet que essa edição do BBB está tendo uma das piores audiências, será que isso não tem nada a ver?

E o pior é que esse povo que está confinado veio com a mentalidade feita. Outro dia uma participante disse que cortejar muitos homens e não escolher nenhum de imediato era uma boa estratégia, porque eles iam ter esperanças e fariam de tudo para manter o “objeto de desejo” na casa...

A tal que está entre os pretendentes disse, ao entrar na casa, que usaria as armas que tem para ganhar. Que armas? A gostosura... Essa noite (do primeiro paredão), ao ser questionada se ia escolher algum ou ficar com os dois, respondeu magnificamente: “Um homem ter duas mulheres ainda vai, é até legal. Mas uma mulher ter dois homens, aí é deixar a coisa muito pejorativa. Para mim não dá”. Afe!!

Ou eu estou ficando cada vez mais careta ou as pessoas perderam a noção. Mulherada, respeito!

Joana

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

TV Digital

Os debates sobre comunicações são os meus preferidos. Estou, neste momento, finalizando o meu mestrado sobre o tema de regulação de mídia e direitos fundamentais.

Este é um post um tanto atrasado, mas só agora o blog me dá a oportunidade...

Sobre os debates da TV digital, todo mundo está falando em 2 coisas:

1. O conversor é caro

2. Os sistemas de interatividade ainda são pífios.

Ótimo, são problemas reais. Mas o buraco é muito mais embaixo!

A entrada da TV digital, além de revolucionar a imagem e o sistema de interatividade, era uma oportunidade histórica de democratizar os meios de comunicação eletrônicos. Isso porque, atualmente, por força do espaço eletromagnético restrito, poucos têm a possibilidade de obter uma concessão de radiodifusão. A TV digital poderia ampliar esse espaço, pois permite a subdivisão dentro de cada ponto.

Assim, muitas outras pessoas – que existem, querem e têm condições para isso – poderiam ter uma concessão, ampliando a pluralidade e diversidade na mídia brasileira.

Mas a opção do Ministério das Comunicações, mais uma vez cedendo para as grandes corporações, foi de dar todo o espaço novo para as emissoras já existentes. O decreto que regulamenta a nova TV garante apenas alguns canais para uso da União (poder executivo, educação, cultura e cidadania). Nem mesmo os canais dos poderes legislativo e judiciário poderão ser transmitidos.

Além disso, no processo de escolha do padrão – que poderia ser o europeu, o norte-americano, o japonês ou um novo modelo – diversos segmentos da sociedade civil suplicaram para serem ouvidos. Claro que isso não aconteceu e o padrão escolhido foi o japonês, pois essa era a vontade das emissoras de TV estabelecidas – essas sim são sempre ouvidas (ou obedecidas). Esse padrão reduz as possibilidades de competição no setor.

Para justificar o injustificável, o Ministério argumentou que negociou com “os japoneses” a instalação de uma fábrica de semicondutores no país e a transferência de tecnologia. Isso está registrado em todas as reportagens dos jornais da época. Em entrevista à TV Senado (que não terá um canal aberto no novo sistema, vale lembrar), na semana de lançamento da TV Digital em São Paulo, o ministro disse que a negociação não foi bem assim. “Os japoneses” instalarão a fábrica se quiserem, o acordo era que eles financiassem a modernização das emissoras!

Quer dizer, escolhemos o padrão que as emissoras queriam e em troca conseguimos dinheiro para as emissoras! E o Ministério deu outras informações para o público.

Triste essa política no setor de comunicações...

Abraços desolados,

Joana.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Alagoas

Para começar o ano, já vai uma opinião-indignação-reclamação.


Fui passar o reveillon em Barra de São Miguel, uns 40 minutos ao sul de Maceió (AL). Lugar lindo, estava com pessoas queridas, foi tudo maravilhoso.

Mesmo de férias eu sou assim mesmo... Logo no primeiro dia que estava na praia, já fiz uma coleção de "opiniões".

A praia é bárbara, mesmo. O mar, fantástico. Tem um arrecife de corais que transforma o mar numa piscina, uma delícia. Só que passam vários Jet-Skis bem perto da beira! Muito perigoso...



Além dos Jet-Skis, ficam passando carros na praia, bem no meio das pessoas! Vi, várias vezes, crianças desavisadas saírem correndo e por pouco escapar das "rodonas" desses bugues modernos.


Para completar, teve até um sujeito que estacionou o carrão dele no meio da areia, com um sistema de som capaz de animar uma balada fenomenal, e a praia "dançou"...


Ah, fora o lixo... O sistema de coleta passou longe, a praia ficou imunda, não há nenhum esforço de conscientização da população e dos vendedores.

Não entendo, com o litoral que tem, Alagoas não se preocupa com a segurança e o conforto dos moradores e turistas que freqüentam suas praias.

Caro Teotônio, quando estive no seu estado, te vi milhares de vezes na TV, fazendo propaganda atrás de propaganda, sobre obras e mais obras. Cuide um pouco do que a natureza já entregou pronto...

Abraço,

Joana.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Apresentando

Uma vez me disseram que ter blog é coisa de gente pretensiosa, que acha que tem alguma coisa interessante para falar. Apesar de não me achar pretensiosa, de certa forma é verdade, não?

Eu nem sei se as minhas opiniões são interessantes ou não, mas tenho um monte delas, e fiquei com vontade de contar para quem quiser saber. Será que alguém quer?

Tendo ou não opinião sobre alguma coisa, gosto de conhecer o debate, saber o que as pessoas acham. No blog tem essa coisa bacana que todo mundo pode escrever, né?

Afinal, falamos tanto que a internet é a nova arena pública, o espaço democrático em que todos encontram um espaço... Por que não?

Então aí está meu blog. Vou falar o que acho de qualquer coisa, quem gostar, muito bem, quem não gostar, critique, mude de página, faça o seu próprio "opiniódromo"...

Beijos,

Joana.