Sim, eu estou muito em falta. Pretendo mudar isso.
Ontem foi um dia importante nas prévias eleitorais norte-americanas. Hillary conseguiu ganhar delegados suficientes para continuar na disputa.
Eu continuo em dúvida. Apesar dos dados que pendiam para o Obama, agora estou mais simpatizante à Hillary. Talvez por causa dos discursos mais religiosos dele, ou talvez porque ele seja preferido pelos republicanos. Talvez porque o trabalho e história de Hillary sejam mais conhecidos e por isso mais confiáveis?
Mesmo assim, sigo indefinida. A cada momento uma nova notícia me faz mudar de opinião. Uma lei aprovada por Hillary que pode beneficiar um amigo pessoal, um assessor de Obama que faz reuniões às escondidas dizendo que as propostas do senador são eleitoreiras. Por aí vai.
Também é necessário pensar que estas não são as eleições finais. Um dos dois enfrentará o republicano-conservador McCain - confirmado nas prévias de ontem (para mim, quase pior que Bush, menos grave que Huckabee). Qual dos dois terá mais chances? Tudo indica que é Obama. Isso é bom ou ruim?
Vou continuar observando.
Voltando para o Brasil, hoje é um dia importante. O STF vai julgar a constitucionalidade da lei que permite a pesquisa com células tronco embrionárias. Um julgamento sobre o direito à vida, e principalmente, sobre o Estado laico.
A lei de biossegurança permite que embriões gerados em laboratórios, para fins de reprodução assistida, que estejam congelados há mais de três anos (e por isso inviáveis), desde que haja autorização dos "pais", sejam usados para extração de células tronco.
As células tronco são a nova esperança na medicina, prometendo a cura de diversas doenças. É possível usar células tronco adultas, que apresentam bons resultados, mas nada comparado às células tronco embrionárias. Por estarem em um estágio muito inicial de desenvolvimento, as células retiradas de embriões têm maior possibilidade de exercerem quaisquer funções no corpo humano.
De um lado, está o argumento religioso. A vida tem início na concepção e por isso, usar os embriões é igual a matar alguém. De outro lado, está a ciência. Consideram que, independente do entendimento de quando a vida começa, estes embriões serão necessariamente jogados no lixo e não têm a menor possibilidade de gerar uma pessoa. Não haveria porque não usá-los para a pesquisa e a cura de doenças (de pessoas vivas).
Se a discussão for sobre o momento de início da vida, ou do momento que ela passa a ser protegida juridicamente, muitos são os entendimentos. Os católicos consideram que o início da vida ocorre com a fecundação do óvulo. Os cientistas se dividem. Para uns a vida começa com a existência de atividade cerebral (argumento que permite, por exemplo, o desligamento dos aparelhos em caso de morte cerebral). No meio, está a idéia de que a vida passa a ser protegida a partir da nidação do óvulo. Ou seja, após a fecundação, o óvulo se prende na parede do útero, dando início à gestação (esse argumento permite o uso da pílula do dia seguinte ou do DIU, anticoncepcionais que evitam a nidação, não a fecundação).
No caso da pesquisa com embriões, acrescenta-se o fato de que apenas é permitido o uso de embriões inviáveis, que em nenhuma hipótese poderão ser implantados no útero da mãe, e por isso nunca se tornarão uma pessoa. Este fato faz com que muitos católicos defendam a pesquisa.
Independentemente de quando a vida começa, este julgamento é sobre a laicidade do Estado. O reconhecimento final de que a Igreja não tem influência sobre a vida pública. Nove dos onze ministros do Supremo declararam-se católicos. Que sejam felizes com suas crenças, que pratiquem da forma que queiram. Mas que não tragam suas influências para as decisões do Estado. O que está em jogo aqui é a definição dos limites entre as esferas pública e privada.
Aguardo ansiosamente pelo resultado.
Volto logo, prometo.
Abraço,
Joana.
quarta-feira, 5 de março de 2008
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