Sou obrigada a voltar a esse assunto.
Hoje li no jornal (O Estado de S. Paulo) que o governo federal, além de propor o aumento do preço do cigarro, pretende proibir os fumódromos, independentemente se instalados em lugares públicos ou privados.
Quanto ao aumento de preço, eu concordo. O governo argumenta que isso dificultaria o acesso dos jovens ao cigarro. Pode ser. O problema é que há nesta medida um corte de classe. Jovens pobres fumarão menos, jovens ricos continuarão a entregar-se ao vício. Enfim, pelo menos já são alguns “salvos”, ainda que forçosamente.
Para mim, o aumento é justo porque o consumo do cigarro traz gastos elevados ao sistema público de saúde, e esse dinheiro deveria vir dos impostos pagos pelos consumidores do produto.
Há, por outro lado, o argumento que o aumento do preço do maço de cigarros acarretaria em mais sonegação e contrabando. É verdade também. Por isso essa medida deve ser acompanhada de atitudes complementares.
De qualquer forma, o que me deixa intrigada é a proibição dos fumódromos.
De acordo com a reportagem, de 1979 a 2003 o número de fumantes caiu de 39% para 18% entre a população maior de 15 anos. No mesmo período, o número de mortes entre mulheres vítimas de câncer de pulmão cresceu 96,95%. O cigarro é responsável por 90% dos casos desse tipo de câncer. Entre os 10% restantes, um terço é composto por fumantes passivos.
Primeiro: não entendo a diminuição dos fumantes e o aumento do câncer. Se o cigarro é responsável por 90% dos casos, o índice de câncer de pulmão deveria ter diminuído também. Sim, é verdade que, mesmo que eu pare de fumar hoje, não estou livre do câncer causado pelo cigarro no futuro. Mas o índice deveria, no máximo, permanecer constante, não?
Segundo: Se um terço dos 10% dos casos de câncer restantes são de fumantes passivos, significa que 3,33% das pessoas que morrem de câncer de pulmão são vítimas passivas do cigarro. É MUITO, lógico!
Eu só queria saber qual era a relação dessas vítimas com o cigarro. Eram casadas com fumantes? Trabalhavam em ambientes fechados, cheios de fumantes? Freqüentavam bares esfumaçados? Ou simplesmente passavam parte do tempo na sala de embarque do Galeão, a alguns metros do “smoking point”?
Minha questão é: os fumódromos, bem instalados, isolados e com eficiente sistema de exaustão contribuem para que haja vítimas passivas do cigarro? Ou as razões são outras?
Se alguém me responder isso com segurança, que os fumódromos têm sua parcela de culpa, eu aceito. Se não, penso que essa medida trata-se somente de uma histeria excessiva e intolerante, como já defendi anteriormente.
Abraço,
Joana.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
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2 comentários:
"Primeiro: não entendo a diminuição dos fumantes e o aumento do câncer."
Steiner, eu não li a matéria, mas creio que duas considerações, combinadas podem ajudar a explicar o fenômeno, partindo do pressuposto que vc já colocou (que mesmo parando de fumar, continua-se submetido aos efeitos do tabaco):
1)Os efeitos do cigarro têm a ver não só com a quantidade de pessoas que fumam, mas também com a intensidade com a qual elas fumam. Num exemplo extremo, se eu tenho mil pessoas fumando um cigarro por dia contra cem pessoas fumando 2 maços por dia, pode ser que na segunda situação o número de mortes seja maior;
2)Não sei como foi divulgado o dado na reportagem, mas se foram explicitados apenas esses dois pontos da curva (1979 e 2003) há pouca base para uma explicação ou refutação consistente do crescimento de mortes. Isso porque com esses dois pontos vc é incapaz de desenhar a curva toda, ou seja, de dizer qual foi o comportamento do dado ao longo de todo o período de 24 anos que existe entre eles. Isso significa que mesmo com essa diferença, pode ser que o percentual de fumantes estivesse estável até 2 anos atrás e a partir daí sofreu uma queda brusca. Outra hipótese é que tenha havido até um crescimento no percentual de fumantes, durante um certo período (chegou a 55%, p.ex.) e depois esse número veio baixando. Nesses dois casos - e em tantos outros, que poderáimos imaginar como exercício mental - o crescimento da taxa de mortes poderia ser explicado. Seia preciso ter a sperie histórica toda para avaliar melhor essa relaçaõ entre fumantes e mortes.
Depois, com mais tempo, falo de outros pontos bacanas do post...
Fui!
"histeria excessiva e intolerante". é isso mesmo.
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