A revolução cubana ocorreu em primeiro de janeiro de 1959 e depôs um governo corrupto e repressor, representado pelo presidente Fulgencio Batista. As condições sociais pré-revolução eram lastimáveis e os governantes se locupletavam das relações entre o país e os Estados Unidos.
Fidel Castro assumiu o poder, e, com amplo apoio popular, declarou o caráter socialista da revolução e tomou medidas de reestruturação da ilha.
A principal conquista do governo castrista se referiu aos elevados índices sociais alcançados. Segundo um levantamento feito pelo site UOL, as estatísticas são impressionantes:
“De acordo com pesquisa da Pnud, organismo da ONU, o índice de pobreza de Cuba entre os 102 países em desenvolvimento pesquisados era o sexto menor em 2004.
Segundo a ONU, em 2003, a mortalidade infantil de Cuba era de 6,2 habitantes para cada 1000 (no Brasil, o índice era de 28,6 por 1000). Dados da Unesco em 2002 relatavam que 98% das residências cubanas possuíam instalações sanitárias adequadas (contra 75% das brasileiras). Em 2006, Cuba obteve a 50ª colocação no ranking de IDH, situada entre os países de alto desenvolvimento humano (o Brasil é o 69º). A mesma pesquisa colocava o índice de analfabetismo cubano em 0,02% da população (no Brasil, a taxa era de 13,7%).
A CIA, central de inteligência americana, que organiza o "World Fact Book", um levantamento anual de dados sobre os países do mundo, estimava em 1,9% o desemprego em Cuba. No Brasil, segundo a mesma fonte, o índice era de 9,6% no ano passado. Ainda de acordo com o "World Fact Book", a expectativa de vida ao nascer na ilha era de 77,41 anos -contra uma esperança de 71,9 anos no Brasil.
De acordo com a própria CIA, que reconhece ter organizado atentados à vida de Fidel e tentativas de invasão de Cuba na década de 1960, os índices de criminalidade e de tráfico de drogas na ilha são "muito baixos". Por outro lado, em 2005, havia apenas 850 mil linhas de telefone -ou seja, suficientes para menos de 10% da população de mais de 11 milhões de habitantes”.
(http://noticias.uol.com.br/ultnot/especial/2008/cuba/cubasobfidel.jhtm)
São dados extremamente relevantes. Eu diria louváveis.
Mas aí nos deparamos com a ditadura. Uma ditadura rigorosa e perene. Liberdade de expressão, nem pensar. Oposição só na cadeia ou no paredão. Aprisionamento de pessoas no país. Eleições, só de brincadeira. E medo.
Eu estive em Cuba em fevereiro de 1988, há exatos 20 anos (antes da queda do muro de Berlim, quando o país ainda recebia auxílio financeiro da ex-URSS). Acredito que tenha mudado bastante depois disso. Não sei se para melhor ou pior.
Fui com a minha mãe, fazer um tratamento médico, considerado de ponta na época (anos depois foi provado ser uma fraude). Eu nem tinha 8 anos e tudo aquilo era muito diferente e fascinante para mim.
Na primeira noite no decadente hotel, tive uma crise de asma seriíssima. Fomos ao hospital às pressas. E a verdade é que o famoso sistema de saúde cubano, naquele momento, não pareceu nada diferente dos hospitais públicos brasileiros.
Filas enormes, gente espalhada pelos cantos, sujeira... E, por causa do embargo econômico (acredito), não havia plástico, por exemplo. Quer dizer, nada de seringas ou máscaras de inalação descartáveis.
Que tipo de informação recebemos fora de Cuba? Sabemos do que estamos falando?
Meu trabalho é dedicado aos direitos humanos. Tenho colegas e amigos, que trabalham nesta mesma área e fazem trabalhos fantásticos, pessoas que respeito e admiro imensamente, e que defendem o sistema cubano e o poder de Fidel Castro.
Isso eu não consigo compreender. O reconhecimento das melhorias sociais na ilha é inegável, mas pergunto: a que custo? A revolução foi importante para o povo cubano, mas não posso jamais aceitar uma ditadura, especialmente rigorosa e longa como essa.
Vamos ver o que a história reserva à “Ilha de Fidel”...
Abraços,
Joana.
2 comentários:
Queremos mais posts! Cadê a dona do blog? Tá de férias?
Jo,
será que os indices seriam os mesmos se a política fosse outra?
Ou Cuba seria hoje o "fundo de quintal" dos EUA como já era antes da revolução cubana?
Será que da pra ser um país economicamente subdesenvolvido e assim mesmo conciliar esses indices mostrados por você junto com uma democracia? (se é que existe uma mesmo).
Como disvincular esse "tópico" econômico do embargo imposto através do EUA para o mundo todo....
Este embargo não é tão ditatorial ou mais que o governo do Fidel Castro?
Que moral tem os paises capitalistas para julgar a ditadura do Fidel?
Complexo né?
To AMANDO seu blog. Já li tudo e entro toda semana pra saber das novidades!
Você é ótima!
Beijos com saudades!
Ju Prado
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