No entanto, independente da minha condição de fumante ou não, acho o fim da picada a discriminação alucinada que as pessoas têm contra os tabagistas. Os fumantes são vistos como a escória da sociedade!
Vamos deixar claro desde já: eu tenho total consciência que a fumaça atrapalha os não fumantes, causa alergia, asma e até câncer. É evidente que nós, fumantes, não temos o direito de impor tais problemas àqueles abençoados que não são viciados em nicotina.
No entanto, a discriminação passa desses limites. Mesmo quando não há interferência alguma na vida alheia, os anti-tabagistas reclamam e sentem-se no direito de limitar o direito dos fumantes fumarem, mesmo quando isso não os afetará de maneira nenhuma.
E mais, são incapazes de entender que se trata de um VÍCIO. Não é apenas uma vontadezinha boba que passa com um pouco de esforço e que nós fumamos só para irritar os outros (e de quebra ainda ganhamos dentes amarelos, cheiro ruim, enfisema e câncer, dentre outros detalhes como esses).
Não posso dizer por todos os fumantes, mas quando eu fico muito tempo sem um cigarro, tenho problemas. Se for a duração de um almoço longo, fico extremamente irritada. Se for uma viagem transatlântica, tenho tremedeira, taquicardia e suo frio. Quer dizer, não é bacana.
E volto a afirmar: É EVIDENTE que não se pode fumar em aviões, em lugares completamente fechados ou sem espaço separado para fumantes, que seja isolado.
Só que cada vez mais as ações anti-tabagistas desrespeitam os fumantes de maneira extrema. Querem tornar normal proibir o fumo em qualquer circunstância. Em alguns lugares do Japão, Canadá e EUA é proibido inclusive fumar na rua. E esta parece ser a tendência. Qual é?
Não só acho um exagero desrespeitoso essa discriminação, intolerância e falta de compreensão, como acho, inclusive, que poderiam ser tomadas atitudes que diminuíssem um pouco a marginalização do fumante dessa forma.
Aeroportos, por exemplo. Quando entramos na sala de embarque, podemos ficar horas esperando para entrar no avião (especialmente no Brasil). Depois, temos a perspectiva de ficarmos horas dentro do avião. Tudo isso sem fumar, claro. No aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, há um negócio chamado “smoking point”. É mais ou menos assim, só que com umas paredes de acrílico:

Lá dentro tem um exaustor tão forte que mal a fumaça saiu da sua boca, já desapareceu. É impressionante. IMPOSSÍVEL alguém que está fora da cabine se incomodar. Por que não tem isso em vários lugares? Ou mesmo outras salas de embarque? É muito civilizado e evita transtornos aos fumantes e aos não fumantes.
Todo mundo sabe que fumar faz muito mal. Não é “na marra” que as pessoas vão parar de fumar. Vamos tentar conviver pacificamente...
Beijos esfumaçados,
Joana
7 comentários:
Não sei não, acho que a intolerância tem seu lado positivo. Quanto mais restrição, menos se fuma. Os fumantes têm um belo incentivo para parar se só puderem fumar sozinhos, na rua ou na varanda (ou na cabine-exaustor do Galeão). E o SUS gasta menos. Fora que o antitabagismo gera filmes maravilhosos: O informante, Obrigado por fumar, Constantine...
Intolerância só contra os intolerantes. Afinal, "não é a posse da verdade que nos faz verdadeiramente humanos, mas sim sua busca honesta e sincera" (Lessing). Mas não vejo como uma política pública que tolere o fumo em lugares públicos possa ser justificada. Ela beneficia os próprios fumantes - que fumam menos - os passivos - que não precisam ficar com o ônus sem o correspondente bônus - e o SUS - que gasta menos - além de desestimular novos fumantes.
Nós fumantes, agredecemos a generosidade de vocês, que só querem nos ajudar a parar de fumar. Mas, enquanto não estivermos atrapalhando vocês, por favor, nos deixem fumar nosso cigarrinho em paz.
(respondendo a chaminé) Eu quero que vcs. morram. Só não quero ir junto.
Achei que entraria no seu blog para comentar as eleições nos eua, mas o cigarro é assunto que já discutimos algumas vezes, certo? Não consigo me solidarizar com o pobre fumante discriminado. Defendo descriminalização do uso de muitas substâncias tóxicas hoje ilegais, portanto não faria sentido ser contra o tabaco. Mas assim como o uso de um baseado (ou outra coisinha mais pesada), nessa minha sociedade desejada, deveria ser feito em ambiente reservado, o cigarro não pode interferir na vida de ninguém. O fumante não consegue dimensionar quanto incomoda um almoço em mesa ao lado de fumantes (mesmo em ambiente aberto). Sobre o vício, ele é adquirido, com boa dose de consciência. Meu estado de rejeição ao fumo é natural, vim de fábrica assim... como é que eu tenho que me adaptar à fumaça em nome da tolerância?
não vou comentar o machismo da moça do bbb. que bom que você tem um blog e escreveu tudo o que eu queria ler.
vou votar no obama desde pequenininha. mas prometo ler sobre a hillary de coração aberto.
agora, cigarros: podemos fazer muito sem histeria, sem discriminação, quase criminalização. não gosto de aumentar tributos e diminuir o acesso ao produto não-descaminhado. adoro proibir propaganda, patrocínio, qualquer luminoso, em cima do caixa do boteco que seja. proibir em ambiente fechado é bom. ter mega-exaustores pra dividir de fato os ambientes, melhor ainda. pagar adicional de insalubridade pra profissionais que trabalham nesses ambientes é uma boa. com a antipropaganda já tivemos uma diminuição enorme na quantidade de fumantes. soluções radicais podem acelerar a redução, mas não sem sérios prejuízos individuais. e essa tem de ser uma grande preocupação se os fumantes fossem 25 no Brasil. sendo 25 milhões então, nem se fala... vixe, desembestei. beijos, bia.
Começo meu comentário registrando que sou ex-fumante e sei exatamente do que a Joana está falando. É uma incoerência imensa o comércio e o consumo de cigarro ser legal, de um lado, e as infindáveis proibições, muitas vezes sem nenhum sentido, de outro. Não posso concordar com o "daniel" no tocante a eventuais virtude na intolerância: a proibição de corrupção não gera políticos menos corruptos; a proibição do consumo de drogas não impede que qualquer tenha acesso a elas (pelo menos às mais leves) sem qualquer problema a qualquer hora do dia ou da noite; a proibição de violência doméstica não impede que maridos lesionem fisica e psicologicamente suas esposas e assim por diante. Com isso não faço apologia do consumo de tabaco, cujas lesões são seríssimas. Trabalhe-se o tema, portanto, com estratégias de convencimento e impedindo, dentro do razoável, que pessoas que não queiram fumar sejam submetidas ao cigarro alheio. Só a intolerância explica a guerra contra as áreas exclusivas para fumante ou a impossibilidade de eu criar um restaurante ou um bar dirigido para o público consumidor de tabaco. Convido a todos para o lançamento do "Smokers only". Jô, tô contigo e não abro.
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